|
|
|
Hampton Solfise no Jornal Valor Econômico: Securitização Tem Espaço Para Crescer
|
|
Securitização tem espaço para crescer
Maria Christina Carvalho, de São Paulo 04/04/2008
|
As emissões de títulos de dívida securitizada podem se recuperar neste ano, depois do recuo observado em 2007, quando os lançamentos de ações roubaram a cena. O volume total de novas operações estruturadas domésticas caiu cerca de 20%, de mais de R$ 12 bilhões em 2007 para cerca de R$ 10 bilhões em 2006. |
|
No primeiro trimestre, as emissões registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) somaram R$ 2,7 bilhões. Se o ritmo se mantiver, o ano fechará com R$ 8 bilhões emitidos. Mas, os analistas da Standard & Poor´s (S&P) acreditam que o patamar de 2007 será superado neste ano. |
|
A expectativa, disse o analista Jean-Pierre Cote Gil, é fundamentada no volume de novas transações submetidas até agora à agência de rating por empresas interessadas em obter a classificação de suas operações. |
|
Outro motivo é a retração dos investidores internacionais, que esvaziou as perspectivas do mercado de ações e também esfriou as possibilidades de venda de bônus no exterior. O BicBanco, por exemplo, emitiu em março seu primeiro fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC), lastreado em créditos consignados, levantando R$ 200 milhões. O banco antecipou o lançamento diante da retração do mercado externo. No final do mês, fechou um empréstimo sindicalizado de US$ 110 milhões para financiar operações de comércio exterior. |
|
A concretização da expectativa da expansão dos negócios, disse Gil, vai depender do interesse dos investidores. As incertezas nos mercados financeiros globais continuem tendo um impacto apenas limitado no segmento brasileiro de operações estruturadas. E a amortização periódica dos fundos já em mercado abre espaço a investimentos. |
|
Os sócios-diretores da Hampton Solfise, Patricia Bentes e Luciano Araújo, afirmam que o mercado brasileiro de securitização ainda não é muito maduro, mas está em expansão. Segundo Araújo, as empresas desconhecem as alternativas de financiamento de projetos. |
|
"As empresas têm que saber que há mercado de dívida mais barata do que capital", disse Patricia. Segundo Patricia, se o governo paga de 10% a 12% para quem compra seus títulos, o investidor quer ganhar mais do que isso na bolsa, de 18% a 20%. Já o investidor de private equity pode requer até 25%. "Se não consegue o retorno, joga as ações para baixo", disse Patricia. |
|
Segundo Patricia, emitir títulos de dívida sai mais barato porque o risco pode ser amenizado com garantias a rating. Por isso, ela espera o crescimento das emissões de FIDC e cédulas de crédito bancário (CCB). |
|
Com o nome inspirado na glamourosa cidade da Nova Inglaterra que Patricia costumava visitar nos cinco anos em que trabalhou no Citigroup, em Nova York, a Hampton Solfise foi fundada em 2002, quando ela voltou ao Brasil. A empresa é especializada em assessorar operações estruturadas de mercado de capitais. |
|
No ano passado, estruturou um certificado de depósito bancário (CDB) subordinado no valor de R$ 60 milhões para o Banco Volvo, com prazo de dez anos e pagamento de principal no vencimento, que dará à instituição condições aumentar sua alavancagem. Outra operação importante foi a montagem do FIDC lastreado em fluxo futuro de recebíveis, sem contrato de fornecimento, no valor de R$ 40 milhões e prazo de 5 anos para a Canguru Embalagens, de Santa Catarina, que fabrica embalagens plásticas flexíveis para os principais empresas do mercado de higiene, tecnologia e excelência na impressão. As cotas, originalmente classificadas pela Standard & Poor's em 2006 com a nota "BBB.br", recebeu um upgrade duplo em final de 2007 para "A-". O FIDC recentemente foi liquidado após cumprir o papel de oferecer liquidez e longo prazo para a Canguru. |
|
Os bancos médios brasileiros, que em anos anteriores fizeram grandes emissões de fundos de dívida securitizada, foram os principais ausentes do mercado em 2007, com a explosão das emissões de ações e dívida subordinada ou não garantida, alimentada pela boa liquidez dos mercados de capitais. A S&P também espera securitizações de empresas brasileiras no exterior (cross-border), lastreadas por direitos de pagamento diversificados originadas por grandes bancos brasileiros. Os bancos brasileiros não vinham realizando securitizações de direitos de pagamentos desde 2005, mas retomaram essas emissões no segundo semestre de 2007. Os recursos captados por meio de direitos de pagamento poderão atender as demandas de recursos dos bancos de grande porte no mercado doméstico. |
|
Segundo a S&P, os grandes bancos de varejo ainda não usam o mecanismo da securitização, apesar da expansão do crédito para pessoa física com recursos livres de 33% em 2007, para R$ 313,6 bilhões em dezembro. O saldo de todos os FIDCs totalizou R$ 30 bilhões em 2007. |
|
O mercado brasileiro de securitizações tem sido basicamente formado por FIDCs e CRIs. Ainda são incipientes os negócios lastreados em empréstimos imobiliários (mortgage-backed securities, MBS), a modalidade mais tradicional no mundo. A S&P espera a expansão dos negócios com recebíveis agrícolas e créditos problemáticos, embora acredite que vão prevalecer as operações com ativos tradicionais como empréstimos pessoais, financiamento de veículos e recebíveis comerciais. |
|
A securitização tem sido a principal fonte alternativa de captação de recursos aos bancos para o desenvolvimento de sistemas habitacionais bem sucedidos em outros países. O atual ritmo forte de crescimento da carteira de empréstimos imobiliários no Brasil indica que o país deverá seguir a mesma direção no futuro. |
|
Outro fator de evolução no mercado brasileiro de securitização é a divisão das emissões em classes. A maioria das transações no mercado local tem apenas uma ou duas tranches (em geral, os originadores fazem ofertas públicas de cotas seniores e mantêm as cotas subordinadas). |
|
No entanto, a tendência é os originadores passarem a dividir as emissões em mais tranches com mais freqüência, para atender o crescente apetite dos investidores por níveis variados de risco e rentabilidade. Além disso, tranches de crédito podem ser mais eficientes em termos de custo para os originadores, permitindo que estes não necessitem deter o total das cotas subordinadas para viabilizar novas operações de captação. |
|
|
|
|